Direitos da pessoa com Alzheimer: quais são e como garantir?

Receber o diagnóstico de Alzheimer muda profundamente a rotina da família. Além dos desafios emocionais e dos cuidados diários, surgem dúvidas sobre direitos da pessoa com Alzheimer, benefícios financeiros, acesso à saúde e proteção legal.

A boa notícia é que o ordenamento jurídico brasileiro prevê diversas garantias para quem vive com a doença. Essas medidas buscam assegurar tratamento adequado, suporte financeiro e proteção patrimonial.

Em 2024, o Brasil avançou nesse tema com a Lei nº 14.878/2024, que instituiu a Política Nacional de Enfrentamento da Doença de Alzheimer e outras demências.

A nova lei reconhece que o diagnóstico precoce não é apenas uma questão médica. Ele também representa um direito de proteção social para pacientes e familiares. Isso ocorre porque o diagnóstico permite acesso mais rápido a benefícios, serviços de saúde e políticas públicas de cuidado.

Neste artigo, você vai entender de forma clara e prática quais garantias existem na legislação brasileira, como funcionam os principais benefícios previdenciários e assistenciais, quais direitos podem ajudar a reduzir os custos do tratamento e quais medidas legais podem proteger o paciente e sua família.

Quem tem Alzheimer tem direito a algum benefício do INSS?

Sim. Pessoas diagnosticadas com Alzheimer podem ter acesso a diferentes benefícios e garantias previstas na legislação brasileira. Isso acontece porque a doença pode comprometer progressivamente a autonomia, a capacidade de trabalho e a realização de atividades básicas do dia a dia.

Dependendo do estágio da doença, da condição financeira da família e do histórico de contribuições ao INSS, o paciente pode ter acesso tanto a benefícios previdenciários quanto assistenciais. Além disso, existem outras formas de apoio garantidas por lei que ajudam a reduzir o impacto financeiro e garantir o tratamento adequado.

Entre os principais direitos estão:

  • Benefícios do INSS, como BPC/LOAS, auxílio-doença, aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) e o acréscimo de 25% na aposentadoria para quem precisa de cuidador permanente;
  • Suporte médico pelo SUS, incluindo atendimento especializado, acompanhamento contínuo e acesso a medicamentos gratuitos para o tratamento da doença;
  • Direitos financeiros e tributários, como isenção de imposto de renda sobre aposentadoria, isenção de IPVA e IPI para veículos utilizados no transporte do paciente, possibilidade de quitação de financiamento habitacional e saque do FGTS e do PIS/PASEP;
  • Proteção legal e social, como curatela, prioridade em processos judiciais e possibilidade de atendimento domiciliar em determinadas situações.

Cada um desses direitos possui regras específicas para concessão. Por isso, nos próximos tópicos do artigo, vamos explicar detalhadamente como funcionam esses benefícios e quais são os requisitos para solicitá-los.

Quem tem Alzheimer tem direito ao BPC/LOAS?

Sim, em muitos casos. Pessoas com Alzheimer podem ter direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) quando comprovam situação de vulnerabilidade econômica e impedimentos que dificultam a participação plena na sociedade.

O BPC é um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Ele garante o pagamento de um salário mínimo mensal para idosos com 65 anos ou mais e para pessoas com deficiência que não possuem meios de se sustentar.

No caso da deficiência, a lei exige comprovar impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Esses impedimentos devem limitar a autonomia da pessoa e sua participação na vida social.

Além disso, existe um critério de renda. A regra geral estabelece que a renda familiar deve ser de até 1/4 do salário mínimo do salário vigente.

No entanto, esse limite é flexibilizado com frequência pela Justiça. Em muitos processos judiciais, os tribunais passaram a considerar despesas essenciais no cálculo da renda familiar.

Entre os gastos que podem ser abatidos estão:

  • fraldas geriátricas;
  • medicamentos contínuos;
  • pagamento de cuidadores;
  • alimentação especial;
  • despesas médicas recorrentes.

Essa interpretação tem sido cada vez mais aceita em decisões judiciais recentes, especialmente quando a família comprova que os custos do tratamento comprometem significativamente o orçamento.

Outro ponto importante é que o BPC não exige contribuição ao INSS. Isso acontece porque o benefício possui natureza assistencial, diferente das aposentadorias e benefícios previdenciários.

Por esse motivo, ele também possui algumas características específicas:

Para solicitar o benefício, normalmente é necessário que a família esteja inscrita no Cadastro Único (CadÚnico). Esse cadastro é utilizado pelo governo para identificar famílias em situação de vulnerabilidade social.

No caso da doença de Alzheimer, o benefício pode ser concedido quando os sintomas comprometem a autonomia da pessoa. Como se trata de uma doença neurodegenerativa progressiva, ela pode causar perda de memória, dificuldade cognitiva e incapacidade para realizar atividades básicas do cotidiano.

Quando esses fatores geram dependência de terceiros e limitam a participação social do paciente, o critério de deficiência exigido pelo BPC pode ser considerado atendido.

Como comprovar a deficiência mental no Alzheimer para o LOAS?

Para ter acesso ao BPC/LOAS, não basta apresentar apenas o diagnóstico de Alzheimer. É necessário demonstrar que a doença gera impedimentos de longo prazo que dificultam a autonomia e a participação social do paciente.

A legislação e a jurisprudência atuais analisam a deficiência sob uma perspectiva biopsicossocial. Isso significa que a avaliação considera não apenas a condição médica, mas também as barreiras que a pessoa enfrenta para viver de forma independente.

No caso do Alzheimer, essas barreiras geralmente aparecem quando a doença compromete funções cognitivas essenciais, como memória, orientação e capacidade de tomar decisões.

Entre os fatores que costumam comprovar essa limitação estão:

  • Dificuldade de lembrar compromissos, pessoas ou locais;
  • Incapacidade de administrar dinheiro ou tomar decisões financeiras;
  • Desorientação em ambientes conhecidos;
  • Dependência de terceiros para atividades básicas do dia a dia.

A dependência de familiares ou cuidadores também é um elemento importante na análise do benefício. Quando a pessoa passa a precisar de ajuda constante para atividades como alimentação, higiene ou controle de medicamentos, isso demonstra um comprometimento significativo da autonomia.

Essa comprovação normalmente ocorre por meio de documentos como:

  • Laudos médicos detalhados;
  • Relatórios de neurologistas ou geriatras;
  • Avaliações neuropsicológicas;
  • Relatórios de assistentes sociais;
  • Prontuários médicos que demonstrem a evolução da doença.

Além disso, o INSS realiza uma avaliação social e uma perícia médica, que analisam o impacto da doença na vida cotidiana do paciente.

Quando fica demonstrado que o Alzheimer gera dependência de terceiros e limita a participação plena na sociedade, o critério de deficiência exigido para o BPC pode ser reconhecido.

Quem tem Alzheimer pode se aposentar por invalidez?

Sim, dependendo do estágio da doença e do histórico de contribuições ao INSS. Atualmente, o benefício conhecido como aposentadoria por invalidez passou a ser chamado de aposentadoria por incapacidade permanente.

Esse benefício é concedido quando o segurado apresenta incapacidade total e definitiva para o trabalho, sem possibilidade de reabilitação para outra atividade profissional.

No caso do Alzheimer, a incapacidade costuma ser considerada omniprofissional. Isso significa que a doença impede o exercício de qualquer tipo de trabalho, independentemente da profissão.

Essa classificação ocorre porque a doença provoca sintomas que comprometem funções essenciais para qualquer atividade laboral, como memória, raciocínio e orientação.

Entre os riscos mais comuns estão:

  • Desorientação no tempo e no espaço;
  • Dificuldade para compreender instruções;
  • Perda de memória recente;
  • Comprometimento da capacidade de julgamento.

Por causa desses fatores, muitas vezes não existe possibilidade real de reabilitação profissional, já que a doença é progressiva e tende a evoluir ao longo do tempo.

Para solicitar o benefício, a pessoa precisa cumprir alguns requisitos. O primeiro é possuir qualidade de segurado, ou seja, estar contribuindo para o INSS ou dentro do período de graça.

Além disso, a regra geral exige 12 contribuições mensais, salvo em situações específicas previstas em lei.

O pedido deve ser feito diretamente ao INSS e depende da realização de perícia médica, que irá avaliar se a incapacidade é permanente.

Caso o benefício seja concedido, o valor da aposentadoria corresponde a 60% da média dos salários de contribuição, com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que ultrapasse 20 anos para homens e 15 anos para mulheres, conforme as regras da Reforma da Previdência.

Quando o aposentado passa a depender de ajuda constante de terceiros para atividades básicas, ainda pode ser solicitado um acréscimo de 25% no valor do benefício, destinado a auxiliar nos custos com cuidados permanentes.

Como conseguir o acréscimo de 25% na aposentadoria por Alzheimer?

O acréscimo de 25% na aposentadoria é um adicional destinado a aposentados que necessitam de assistência permanente de outra pessoa para realizar atividades básicas do dia a dia. Esse benefício também é conhecido como Auxílio-Acompanhante.

O objetivo desse adicional é ajudar a cobrir despesas com cuidadores e outros custos relacionados à dependência do segurado. Em casos de Alzheimer, esse direito costuma surgir quando a doença evolui e o paciente passa a depender de terceiros para tarefas simples.

Entre as atividades que normalmente demonstram essa necessidade estão:

  • Alimentação;
  • Higiene pessoal;
  • Locomoção;
  • Administração de medicamentos;
  • Supervisão constante para evitar riscos.

Para solicitar o adicional, é necessário fazer um pedido ao INSS e passar por perícia médica, que irá avaliar se existe dependência permanente de outra pessoa.

Se o benefício for concedido, o valor da aposentadoria aumenta em 25%, independentemente do teto previdenciário. Isso significa que mesmo aposentados que já recebem o valor máximo do INSS podem receber esse adicional.

Pela regra atual da Previdência, o Auxílio-Acompanhante é destinado apenas a quem recebe aposentadoria por incapacidade permanente. Além disso, o valor não é incorporado à pensão por morte, ou seja, deixa de existir após o falecimento do segurado.

No entanto, existe uma tese jurídica em discussão nos tribunais que defende a extensão desse adicional para outros tipos de aposentadoria, como aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição.

A argumentação utilizada é que o critério principal deveria ser a necessidade de assistência permanente, e não o tipo de aposentadoria. Em alguns casos, decisões judiciais já reconheceram esse direito, especialmente quando a dependência do segurado é comprovada.

O que o SUS oferece para quem tem Alzheimer?

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos serviços para pessoas com Alzheimer, com o objetivo de garantir diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo da doença. Esse atendimento busca assegurar qualidade de vida ao paciente e suporte adequado à família.

Entre os principais serviços disponibilizados pelo SUS estão o diagnóstico da doença, acompanhamento médico com neurologistas e geriatras, realização de exames para monitorar a progressão do Alzheimer e acesso a medicamentos gratuitos.

O tratamento também pode envolver atendimento multiprofissional, com profissionais como:

  • Psicólogos;
  • Fisioterapeutas;
  • Terapeutas ocupacionais;
  • Fonoaudiólogos;
  • Assistentes sociais.

Esses profissionais ajudam a preservar a autonomia do paciente por mais tempo e oferecem orientações importantes para familiares e cuidadores.

Em algumas cidades, o atendimento ocorre em Centros de Referência para Doenças Neurodegenerativas, que concentram especialistas e oferecem acompanhamento mais completo.

Outra possibilidade é o acesso a centros de dia, espaços voltados ao cuidado do idoso durante o período diurno. Nesses locais, o paciente recebe atividades terapêuticas, acompanhamento profissional e estímulos cognitivos, enquanto a família conta com um período de descanso ou apoio na rotina de cuidados.

A legislação recente também passou a reconhecer a importância do suporte ao cuidador. A Portaria nº 21/2026/1, conhecida como política de Bolsa de Cuidadores, prevê iniciativas de apoio e capacitação para familiares ou profissionais responsáveis pelo cuidado contínuo de pessoas com demência.

Além disso, pacientes com Alzheimer podem ter acesso ao Programa Melhor em Casa, que oferece atendimento domiciliar para pessoas com dificuldade de locomoção ou que necessitam de acompanhamento constante.

Por meio desse programa, equipes de saúde podem realizar visitas regulares à residência do paciente, auxiliando no controle da doença e evitando internações desnecessárias.

Outro ponto importante envolve o fornecimento de fraldas geriátricas e suplementos alimentares. Em muitos casos, esses itens são necessários para garantir o cuidado adequado do paciente.

Embora nem sempre estejam disponíveis diretamente nas unidades de saúde, a Justiça reconhece o direito ao fornecimento desses produtos quando existe prescrição médica e comprovação da necessidade, permitindo que as famílias obtenham esse suporte por meio de ações judiciais.

Como conseguir medicamentos gratuitos pelo SUS?

O acesso a medicamentos gratuitos para o tratamento do Alzheimer é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) e, em alguns casos, do Programa Farmácia Popular. Para obter os remédios sem custo, é necessário seguir alguns passos:

  1. Consulta médica e prescrição do medicamento: o primeiro passo é buscar atendimento em uma unidade de saúde pública ou com um médico particular. O profissional deve emitir um laudo médico detalhado, atestando o diagnóstico de Alzheimer e indicando o medicamento necessário.
  2. Reunir a documentação necessária: para solicitar os remédios, é preciso apresentar:
  • Receita médica válida (normalmente com validade de até 180 dias, dependendo do medicamento);
  • Documento de identidade e CPF do paciente;
  • Cartão Nacional do SUS;
  • Laudo médico ou exames que comprovem a necessidade do tratamento.
  1. Solicitação na farmácia de alto custo ou na Farmácia Popular: o medicamento pode ser retirado nas chamadas farmácias de alto custo do SUS, responsáveis pelo CEAF, ou em unidades da Farmácia Popular, dependendo da disponibilidade do medicamento. O pedido pode ser feito por um representante legal, caso o paciente não consiga comparecer pessoalmente.
  2. Cadastro e retirada contínua: em alguns estados, é possível realizar um cadastro para garantir a retirada periódica do medicamento sem a necessidade de uma nova solicitação a cada mês. É fundamental acompanhar a validade da receita e manter o acompanhamento médico regular.

Além disso, o SUS pode oferecer suporte multiprofissional, incluindo atendimento com neurologistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, contribuindo para melhorar a qualidade de vida da pessoa com Alzheimer.

Em caso de dúvidas sobre o processo, familiares podem buscar orientação em unidades de saúde, no CRAS ou com um advogado especializado em direito à saúde.

Quais são os direitos financeiros da pessoa com Alzheimer?

O Alzheimer é uma doença que costuma gerar custos elevados e contínuos para a família. Com o avanço da condição, surgem despesas com medicamentos, consultas médicas, cuidadores, fraldas, adaptações na residência e transporte para tratamentos.

Por essa razão, a legislação brasileira prevê alguns direitos financeiros e tributários destinados a reduzir esse impacto econômico. O objetivo dessas medidas é permitir que os recursos da família sejam direcionados ao tratamento e ao cuidado do paciente.

Entre os principais direitos estão a isenção de determinados impostos, a possibilidade de quitação de financiamento habitacional e o saque de valores acumulados em fundos trabalhistas, que podem ajudar a custear as despesas decorrentes da doença. A seguir, veja como funciona cada um desses direitos.

Isenção de imposto de renda, IPVA e IPI

Pessoas diagnosticadas com Alzheimer podem ter direito à isenção de imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Esse direito está previsto na Lei nº 7.713/1988, que inclui algumas doenças graves entre as hipóteses de isenção tributária.

Isso significa que o aposentado ou pensionista deixa de pagar imposto sobre esses rendimentos. Outro ponto importante é que, quando a isenção é reconhecida, ela pode retroagir até a data do diagnóstico indicada no laudo médico. Assim, é possível inclusive solicitar a restituição de valores pagos anteriormente.

Também existem benefícios relacionados a veículos utilizados no transporte do paciente. Dependendo da legislação estadual e das regras aplicáveis, pode haver isenção de IPVA. Também pode existir isenção de IPI na compra de veículos destinados ao transporte de pessoas com deficiência, conforme a legislação federal.

Mesmo que a pessoa com Alzheimer não dirija, esse direito pode ser reconhecido para o veículo utilizado em seu deslocamento para consultas, tratamentos e exames. Nesses casos, o carro pode ser conduzido por familiares ou cuidadores responsáveis pelo transporte.

Quitação de financiamento habitacional

Em algumas situações, também é possível solicitar a quitação do financiamento habitacional. Muitos contratos de financiamento imobiliário possuem um seguro obrigatório vinculado à cobertura por invalidez permanente.

Esse tipo de seguro é comum em contratos firmados com a Caixa Econômica Federal e em programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida. Quando o diagnóstico da doença ocorre após a assinatura do contrato e é reconhecido como causa de incapacidade permanente, a seguradora pode quitar o saldo devedor do imóvel.

Isso significa que a dívida do financiamento pode ser encerrada, garantindo maior segurança financeira para a família em um momento de maior vulnerabilidade.

Saque PIS/PASEP e FGTS

O diagnóstico de doença grave também permite o saque integral de valores acumulados no FGTS e no PIS/PASEP. Se a pessoa com Alzheimer possuir saldo disponível nessas contas, os valores podem ser retirados para ajudar no custeio do tratamento.

Esse saque pode ser solicitado pelo próprio titular da conta ou por um representante legal, mediante apresentação de documentação médica que comprove a doença. Os recursos podem ser utilizados para pagar despesas médicas, contratar cuidadores, adquirir medicamentos ou adaptar a residência às necessidades do paciente.

Esse direito é especialmente relevante porque permite que a família utilize recursos acumulados ao longo da vida profissional para enfrentar os custos do tratamento e garantir melhores condições de cuidado.

Além dos direitos previdenciários e financeiros, existem mecanismos jurídicos criados para proteger pessoas diagnosticadas com Alzheimer. Essas medidas são importantes porque a doença pode comprometer a memória, a capacidade de decisão e o controle das próprias finanças.

Sem proteção adequada, o idoso pode se tornar vulnerável a golpes, contratos prejudiciais ou à má administração do próprio patrimônio. Por isso, o Direito prevê instrumentos que ajudam a garantir que os recursos da aposentadoria e outros bens sejam utilizados exclusivamente para o bem-estar do paciente.

Esses mecanismos também ajudam a dar segurança à família, permitindo que decisões importantes sejam tomadas de forma legal e transparente.

Curatela e tomada de decisão apoiada

A curatela é uma medida judicial utilizada quando a pessoa já não possui capacidade de administrar sua vida civil de forma independente. Nesse caso, o juiz nomeia um curador, que passa a ser responsável por decisões relacionadas ao patrimônio, contratos e gestão financeira do idoso.

O objetivo da curatela é proteger o paciente e evitar prejuízos financeiros. O curador deve administrar os recursos sempre em benefício da pessoa com Alzheimer, garantindo que o dinheiro da aposentadoria ou de outros rendimentos seja utilizado para cuidados, tratamento e qualidade de vida.

Já a tomada de decisão apoiada é um instrumento mais recente e menos restritivo. Nesse modelo, o idoso continua participando das decisões, mas recebe o apoio de duas pessoas de confiança que auxiliam na compreensão e na tomada de escolhas importantes.

Enquanto a curatela transfere a responsabilidade de decisão para o curador, a tomada de decisão apoiada busca preservar ao máximo a autonomia da pessoa. A escolha entre esses instrumentos depende do estágio da doença e do grau de comprometimento cognitivo.

Prioridade em processos judiciais

Pessoas diagnosticadas com doenças graves, como o Alzheimer, têm direito à prioridade na tramitação de processos judiciais.

Isso significa que ações judiciais envolvendo o paciente devem ser analisadas com maior rapidez pelos tribunais. Essa prioridade é prevista na legislação brasileira e pode ser solicitada mediante apresentação de laudo médico que comprove a doença.

Na prática, essa medida é importante porque acelera decisões relacionadas a benefícios previdenciários, fornecimento de medicamentos, revisão de aposentadorias ou outras demandas urgentes.

Com a tramitação prioritária, aumenta a chance de que valores acumulados ou direitos importantes sejam reconhecidos enquanto o paciente ainda pode se beneficiar dessas decisões.

Conclusão

O Alzheimer não afeta apenas quem recebe o diagnóstico. A doença impacta toda a estrutura familiar, trazendo desafios emocionais, financeiros e jurídicos que exigem adaptação na rotina e no planejamento da família.

Por isso, conhecer os direitos garantidos pela legislação é fundamental. Benefícios previdenciários, apoio do SUS e mecanismos de proteção legal existem para reduzir esse impacto e garantir mais segurança no cuidado diário.

Nesse contexto, o Direito Previdenciário e o Direito Civil funcionam como instrumentos de proteção social, permitindo que a família concentre sua energia no carinho e no cuidado, enquanto as questões burocráticas e financeiras são resolvidas por meio da lei.

Se você precisa de orientação para garantir esses direitos, a equipe do Tenório Advogados Associados pode ajudar. Entre em contato pelo WhatsApp e receba orientação jurídica especializada para o seu caso.

Perguntas frequentes sobre direitos da pessoa com Alzheimer

Quem é responsável pelo idoso com Alzheimer?

Normalmente, a responsabilidade recai sobre familiares próximos, como filhos ou cônjuge. Em casos mais graves, pode ser necessária a nomeação judicial de um curador.

Como conseguir acréscimo de 25% na aposentadoria de idosos com Alzheimer?

É necessário solicitar o adicional ao INSS e apresentar laudos médicos que comprovem a necessidade de assistência permanente de outra pessoa.

Pessoas com Alzheimer podem assinar documentos?

Depende do estágio da doença. Em fases iniciais pode ser possível. Em estágios avançados, pode ser necessária curatela.

Deixar idoso com Alzheimer sozinho é crime?

Sim, se a situação colocar o idoso em risco. O Estatuto do Idoso prevê punição para abandono ou negligência.

Quem tem Alzheimer tem direito à aposentadoria integral?

Nem sempre. O valor da aposentadoria depende do histórico de contribuições, mas a incapacidade permanente pode garantir o benefício previdenciário.

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