Como funciona a perícia do LOAS: entenda as duas etapas

Entender como funciona a perícia do LOAS é importante para chegar ao atendimento sabendo o que realmente será analisado pelo INSS. No caso do BPC solicitado por uma pessoa com deficiência, o procedimento é composto por duas etapas: a avaliação médica e a avaliação social, que juntas formam a avaliação biopsicossocial da deficiência.

Embora muita gente chame todo esse procedimento de “perícia do BPC” ou “perícia do LOAS”, apenas uma das etapas é propriamente médico-pericial. A outra é conduzida por um assistente social e observa as barreiras e dificuldades enfrentadas pelo requerente em sua realidade cotidiana.

Para os idosos com 65 anos ou mais, não existe perícia médica para comprovar deficiência. No fluxo divulgado pelo INSS em agosto de 2026, a avaliação social aparece como etapa obrigatória para esse público, juntamente com a análise das condições econômicas necessárias à concessão do benefício.

Neste artigo, você vai entender como funciona o dia da perícia do BPC/LOAS no INSS, desde a chegada para o atendimento até a conclusão das avaliações e o acompanhamento do resultado pelo Meu INSS.

Quais são as duas etapas da perícia do BPC/LOAS no INSS?

As duas etapas da perícia do BPC/LOAS para a pessoa com deficiência são a avaliação médica e a avaliação social. O objetivo é analisar não apenas a existência de uma condição de saúde, mas também como ela interfere na vida cotidiana e se relaciona com as barreiras enfrentadas pela pessoa.

A legislação adota uma avaliação biopsicossocial. Por isso, ter um diagnóstico ou apresentar um laudo médico, isoladamente, não significa que o INSS reconhecerá automaticamente a deficiência para fins do BPC.

Na avaliação médica, o perito analisa as funções e estruturas do corpo e as repercussões do quadro clínico sobre aspectos como mobilidade, comunicação, aprendizagem e cuidado pessoal.

Já na avaliação social, o assistente social examina fatores ambientais e sociais, condições de moradia, acesso a serviços públicos, rede de apoio, participação na comunidade e dificuldades para realizar atividades do dia a dia.

Pelas regras atuais da Portaria Conjunta MDS/INSS nº 34/2025, a perícia médica deve, preferencialmente, acontecer antes da avaliação social. Os atendimentos, porém, são agendados como etapas próprias e podem ocorrer em datas diferentes, conforme a disponibilidade do INSS.

Ao comparecer à agência, é recomendável chegar com antecedência. Nas orientações de agendamento, o INSS indica a chegada cerca de 15 minutos antes do horário marcado, com documento oficial de identificação. O requerente deve estar presente na avaliação, inclusive quando existe representante legal.

O que o perito médico analisa na perícia do BPC/LOAS?

O médico perito analisa como a condição de saúde afeta a vida da pessoa no dia a dia e se essas dificuldades devem durar por um período longo.

Portanto, o perito não está ali para indicar tratamento ou substituir o médico que acompanha o paciente. O objetivo é entender quais limitações a pessoa enfrenta por causa da deficiência ou problema de saúde.

Durante a perícia, o médico pode avaliar aspectos como:

  • Dificuldade para andar ou se movimentar;
  • Problemas de visão ou audição;
  • Dificuldade para falar ou se comunicar;
  • Dores frequentes;
  • Limitações para realizar tarefas sozinho;
  • Dificuldades de memória, atenção ou compreensão;
  • Necessidade de ajuda para tomar banho, se vestir, se alimentar ou cuidar da própria rotina.

O perito também pode analisar laudos, relatórios médicos, exames, receitas e outros documentos de saúde apresentados no atendimento. Em alguns casos, ele também pode fazer um exame físico para verificar as limitações informadas.

Outro ponto importante é a duração do problema. Para o BPC da pessoa com deficiência, o INSS precisa verificar se existe um impedimento de longo prazo, ou seja, uma condição que cause efeitos por pelo menos dois anos.

Por isso, o diagnóstico, sozinho, não define o resultado da perícia. O médico procura entender principalmente como aquela condição interfere na rotina, na autonomia e na realização das atividades do dia a dia.

Quais perguntas o médico faz na perícia do BPC/LOAS?

As perguntas variam conforme a idade, o diagnóstico e as limitações apresentadas, mas normalmente buscam esclarecer a evolução do problema de saúde e os impactos concretos na rotina.

Durante o atendimento, o perito pode abordar questões como:

  • Quando começaram os sintomas ou limitações?
  • Qual é o diagnóstico informado pelos médicos que acompanham o requerente?
  • Há quanto tempo a pessoa faz tratamento?
  • Quais medicamentos utiliza atualmente?
  • Houve cirurgias, internações ou tratamentos anteriores?
  • Existem dificuldades para andar, movimentar-se ou sair de casa?
  • A pessoa consegue tomar banho, vestir-se, alimentar-se e cuidar da própria saúde?
  • Precisa da ajuda de outra pessoa para tarefas cotidianas?
  • Existem limitações para falar, ouvir, enxergar ou se comunicar?
  • Há dificuldade para aprender, concentrar-se, compreender orientações ou tomar decisões?
  • O quadro apresenta períodos de melhora e piora?
  • Existe previsão de recuperação ou tratamento capaz de reduzir as limitações?
  • Como a condição interfere na rotina escolar, profissional, familiar ou social?

O INSS avalia justamente o desempenho em áreas como aprendizagem, demandas gerais, comunicação, mobilidade e cuidado pessoal.

Por isso, é importante responder de forma objetiva e coerente com a realidade. O requerente não precisa decorar respostas nem tentar usar termos técnicos. O mais relevante é explicar o que consegue fazer, o que faz com dificuldade e em quais situações necessita de auxílio.

O que o assistente social analisa na avaliação social do BPC/LOAS?

O assistente social analisa como a pessoa vive e quais dificuldades enfrenta no dia a dia por causa da deficiência e das condições ao seu redor.

Essa etapa não serve apenas para verificar a renda da família. O profissional procura entender se existem situações que dificultam a rotina, a autonomia e a participação da pessoa na sociedade.

Dessa forma, o assistente social pode avaliar:

  • Como são as condições da casa onde a pessoa mora;
  • Se a residência tem acessibilidade;
  • Se a pessoa consegue usar transporte público;
  • Se tem acesso a médicos, tratamentos e outros serviços;
  • Se precisa de ajuda de familiares ou cuidadores;
  • Se utiliza cadeira de rodas, próteses, fraldas, medicamentos ou outros recursos;
  • Se consegue estudar, sair de casa e participar de atividades sociais;
  • Se enfrenta preconceito, isolamento ou outras dificuldades por causa da deficiência.

O profissional também observa quanto apoio a pessoa recebe da família e se alguém precisa deixar de trabalhar ou mudar a própria rotina para prestar cuidados.

Além disso, pode verificar se a pessoa consegue chegar até hospitais, escolas, postos de saúde e outros serviços públicos e se os tratamentos ou recursos de que precisa estão realmente disponíveis.

Por isso, a avaliação social busca entender a situação de forma ampla. O assistente social não olha apenas para a deficiência, mas também para as condições de vida e as dificuldades que tornam a rotina mais limitada.

Quais são as perguntas feitas na perícia social do INSS?

Não existe um roteiro único de perguntas que será repetido da mesma maneira em todos os atendimentos. O assistente social conduz a entrevista conforme as características do requerente, mas o instrumento do BPC permite identificar os principais assuntos avaliados.

Entre as perguntas que podem aparecer estão:

  • Com quem o requerente mora?
  • Quem ajuda nos cuidados diários?
  • Existe alguém disponível para acompanhá-lo a consultas ou tratamentos?
  • A pessoa consegue preparar refeições e realizar tarefas domésticas?
  • Precisa de ajuda para fazer compras ou resolver atividades fora de casa?
  • A moradia possui condições adequadas e acessibilidade?
  • Há dificuldade para utilizar transporte público?
  • A pessoa utiliza cadeira de rodas, prótese, aparelho auditivo ou outro recurso?
  • A família consegue comprar medicamentos, alimentos especiais, fraldas ou equipamentos necessários?
  • O tratamento necessário está disponível pelo SUS?
  • Há acompanhamento no CRAS, na escola ou em outros serviços públicos?
  • Existem dificuldades para frequentar a escola ou participar de outras atividades?
  • A pessoa consegue manter relações sociais e participar da comunidade?
  • Já enfrentou preconceito ou outras barreiras relacionadas à deficiência?
  • Existe necessidade frequente de auxílio de terceiros?
  • A condição limita atividades que outras pessoas da mesma idade normalmente conseguem realizar?

As perguntas ajudam o assistente social a transformar a experiência cotidiana do requerente em informações que serão registradas nos diferentes domínios da avaliação social.

Portanto, a entrevista não deve ser encarada como um teste em que existem respostas “certas”. O objetivo é retratar as barreiras e dificuldades vivenciadas.

Quais documentos levar para avaliação social do INSS para BPC/LOAS?

Para fazer a avaliação, o requerente deve levar um documento de identificação. Para menores de 16 anos sem documento com foto, o INSS permite a apresentação da Certidão de Nascimento.

Além disso, conforme a situação, é recomendável levar:

  • Documento de identificação do responsável legal ou acompanhante, quando houver;
  • Procuração, termo de tutela, curatela ou guarda, caso exista representação legal;
  • Documentos de atendimentos realizados pela rede de saúde;
  • Registros de acompanhamento pela assistência social;
  • Documentos relacionados à escola ou educação especial, quando pertinentes;
  • Comprovantes que ajudem a demonstrar tratamentos, medicamentos, fraldas, alimentação especial ou outras despesas contínuas informadas no pedido;
  • Comprovantes de negativas do SUS ou do SUAS, quando a família pede que determinados gastos sejam considerados na análise de renda;
  • Recibos de despesas efetivas, quando necessários para comprovar valores superiores aos parâmetros utilizados administrativamente.

Alguns gastos frequentes com saúde ou assistência podem ser considerados pelo INSS, especialmente quando o serviço ou item necessário não é oferecido gratuitamente pelo SUS ou pelo SUAS. Nesses casos, é importante levar comprovantes.

Por isso, não é preciso levar uma grande quantidade de documentos. O ideal é separar apenas os papéis que ajudem a comprovar as informações relatadas durante a avaliação.

O que reprova na perícia do BPC/LOAS?

O BPC pode ser negado quando o INSS entende que a pessoa não se enquadra nos critérios exigidos para o benefício. Isso pode acontecer tanto por causa do resultado da avaliação médica e social quanto por problemas nas demais informações analisadas no processo.

O INSS não observa apenas o nome da doença ou da deficiência. A decisão considera principalmente quanto aquela condição limita a vida da pessoa, por quanto tempo essas dificuldades devem durar e se as informações apresentadas confirmam essa realidade.

Entre os principais motivos estão:

  • Problema de saúde com duração menor: se o perito entender que a condição não deve causar limitações por pelo menos dois anos, o requisito de longo prazo pode não ser reconhecido;
  • Poucas limitações no dia a dia: mesmo com uma doença ou deficiência, o INSS pode concluir que as dificuldades apresentadas não são suficientes para caracterizar a deficiência exigida para o BPC;
  • Documentos pouco detalhados: laudos que mostram apenas o diagnóstico, sem explicar as limitações, o tratamento e a evolução do quadro, podem dificultar a análise;
  • Informações diferentes entre si: divergências entre laudos, declarações e dados registrados no INSS podem gerar dúvidas e exigir esclarecimentos;
  • Falta à perícia ou à avaliação social: não comparecer ao atendimento e não fazer o reagendamento pode levar ao indeferimento do pedido.

Um dos pontos mais importantes é a duração da condição. Se a perícia médica concluir que não existe um impedimento de longo prazo, o INSS pode negar o benefício sem precisar concluir as demais etapas da avaliação.

Também é importante lembrar que ser aprovado na perícia não significa que o BPC já foi concedido. O INSS ainda precisa analisar os demais requisitos do pedido, como renda e informações cadastrais.

Da mesma forma, ter uma doença específica não garante a aprovação automática. O INSS avalia como essa condição afeta a rotina, a autonomia e a vida da pessoa.

Quanto tempo demora para sair o resultado da perícia do BPC/LOAS?

O portal oficial de serviços informa uma média de 45 dias corridos para dar uma resposta ao pedido de BPC. Esse prazo considera todo o processo e não significa que o resultado será divulgado exatamente 45 dias após a última avaliação.

Para acompanhar o pedido, o requerente deve:

  1. Entrar no aplicativo ou site Meu INSS;
  2. Fazer login com a conta Gov.br;
  3. Selecionar “Consultar Pedidos”;
  4. Localizar o pedido do benefício;
  5. Clicar em “Detalhar” para conferir o andamento, possíveis solicitações do INSS e o resultado.

Uma dúvida comum aparece quando o sistema mostra a mensagem “Avaliação Social Concluída”. Isso quer dizer apenas que o atendimento com o assistente social terminou e que as informações desta etapa já foram registradas no sistema. Ou seja, não significa que o BPC foi aprovado.

No pedido feito por uma pessoa com deficiência, o INSS também precisa considerar o resultado da avaliação médica e os demais dados do processo. Isso acontece porque a análise da deficiência leva em conta tanto os aspectos de saúde quanto as dificuldades e barreiras enfrentadas no dia a dia.

Por isso, a avaliação social pode aparecer como concluída enquanto o pedido continua com o status “Em análise”. Nesse caso, é necessário aguardar o INSS finalizar todas as etapas e informar se o benefício foi concedido ou negado.

Depois das avaliações, também é possível consultar informações sobre os atendimentos pelo Meu INSS. O serviço “Laudo Médico e Avaliação Social” permite acessar os registros feitos durante as avaliações do BPC.

Se o benefício for negado, é importante verificar qual motivo o INSS apresentou para a decisão. Dependendo do caso, é possível apresentar recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social em até 30 dias após a comunicação da decisão.

Conclusão

Saber como funciona a perícia do LOAS ajuda a entender melhor o que acontece durante a análise do BPC no INSS. Para a pessoa com deficiência, o processo inclui duas etapas: a avaliação médica e a avaliação social. Já no caso da pessoa idosa com 65 anos ou mais, não há avaliação médica para comprovar deficiência, mas há avaliação social e análise dos demais requisitos do benefício.

Na avaliação médica, o perito verifica a condição de saúde e como ela afeta a rotina da pessoa. Já na avaliação social, o assistente social analisa as dificuldades enfrentadas no dia a dia, como problemas de mobilidade, moradia, acesso a serviços públicos e necessidade de ajuda de outras pessoas.

Depois das avaliações, o pedido deve ser acompanhado pelo Meu INSS. Mesmo que uma das etapas apareça como concluída, isso não significa que o benefício já foi aprovado. É preciso esperar a decisão final do INSS.

Se o BPC for negado, é importante conferir o motivo da decisão e os resultados das avaliações. Dependendo da situação, pode ser possível apresentar recurso, fazer um novo pedido ou buscar o reconhecimento do direito pela Justiça.

O Tenório Advogados Associados pode analisar o caso, verificar por que o benefício foi negado e orientar sobre o melhor caminho. Se o seu BPC foi indeferido após a perícia do INSS, entre em contato com a equipe do Tenório Advogados pelo WhatsApp e receba orientação sobre o seu caso.

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